Crítica | Anime | Neon Genesis Evangelion



"Neon Genesis Evangelion" é um anime clássico de ficção científica. Foi produzido pelo estúdio GAINAX (que anos mais tarde viria a produzir o também reconhecidíssimo "Tengen Toppa Gurren-Lagann") em parceria com o estúdio Tatsunoko (o mesmo de "Shurato").

Foi lançado originalmente no Japão em outubro de 1995. Com 26 episódios, ficou no ar até março de 1996. No Brasil foi ao ar pela primeira vez em 1999, no extinto canal Locomotion. Foi criado e dirigido por Hideaki Anno.

Yoshiyuki Sadamoto é o autor do mangá de "Neon Genesis Evangelion" (cujo primeiro capítulo foi publicado, em revista, pela primeira vez em 1994), além de ser o designer e criador de personagens do anime. No entanto, o anime não é baseado no mangá; mesmo a obra audiovisual tendo sido lançada depois da revista, ela foi concluída muito antes (o mangá só foi concluído em 2014) e, no universo da história, ambos tomam rumos diferentes. "Evangelion" é um anime único.

Sim... "Evangelion" é único. Não só com relação ao que diz respeito anime-mangá, mas em vários outros aspectos. É um anime que reúne elementos filosóficos e religiosos (cristãos, xiitas, etc). É muito mais que um mecha (animes com robôs) de ficção científica, é uma luta interna dos personagens contra seus próprios demônios, capaz de tocar na alma daqueles que estão assistindo-o.

Conta a história de Shinji Ikari e de outros adolescentes que, em um mundo pós-apocalíptico invadido por seres chamados Angels, controlam robôs gigantes humanóides, as Unidades Evangelion (EVAs), e lutam para combater os Angels. Isto pode parecer clichê, o preceito básico de muitos animes deste gênero, mas não é.

"Evangelion" vai além de todos os demais animes deste tipo (e de outros gêneros também). Trabalha brilhantemente os problemas internos e inter-pessoais dos personagens; adolescentes, em um mundo praticamente desolado, lutando por algo. Um conflito interno e externo, de todos nós, representado de forma filosófica, quase religiosa, em um anime muito bom.

A história começa quando uma criatura chamada Angel entra em confronto com as forças de defesa da Organização das Nações Unidas. No meio da batalha, Shinji Ikari é chamado por seu pai, o qual não tem contato há alguns anos, para o local em que este trabalha, uma organização paramilitar chamada NERV, com o objetivo de que o garoto pilote um robô gigante, a unidade EVA, capaz de enfrentar o Angel.

Depois de um momento de indecisão, Shinji acaba pilotando o robô e derrotando o Angel. A partir daí a história se desenvolve, tendo foco nos problemas pessoais e interpessoais do garoto, sua relação com o pai, as batalhas contra os Angels e todos os problemas totalmente humanos dos demais adolescentes que também pilotam os EVAs.

Hoje em dia não é lembrado no Brasil da forma que devia; merecia estar na mesma "caixinha" de "Dragon Ball", "Cavaleiros do Zodíaco", etc. É um clássico da animação japonesa, que vale ser visto e revisto. O bom é que, agora, aqueles que não o assistiram terão a chance de fazê-lo: "Neon Genesis Evangelion" estará no catálogo da Netflix, no Brasil, em 2019.

Além da série clássica, o universo possui dois filmes, "Neon Genesis Evangelion: Death & Rebirth" e "The End of Evangelion", ambos de 1997, que também passarão a integrar o catálogo da Netflix.

Visualmente o anime pode causar um certo desagrado naqueles que ainda não conhecem a obra. Como se trata de uma animação da década de 90, foi feito com a tecnologia da época. Mesmo muito bem feito, já tem 20 anos, e a animação evoluiu muito em termos técnicos.

Isso pode, a princípio, não satisfazer novos espectadores, no entanto, a história é contagiante, maravilhosa e, embalada por esta linda abertura interpretado por Yoko Takahashi, que encerra este texto, certamente conquistará todos aqueles que a assistirem. Quando estrear na Netflix, merece ser visto por todos que ainda não o fizeram e re-assistido por todos que já são fãs da obra.




Postar um comentário

0 Comentários